Roda de bate-papo refletiu sobre a construção da cidade de fora para dentro a partir da juventude e para ela

Em uma manhã quente de outono, no sábado 09/05, 15 pessoas, de diversas partes da cidade, entre professores de ensino fundamental e universitário, educadores sociais, artistas, estudantes e articuladores comunitários, participaram do primeiro [Con]Versas que, com o tema “Sobrenome Juventude: como construir uma cidade de fora para dentro?”, contou com a participação do mobilizador cultural e social Thiago Vinícius, da Agência Solano Trindade, Banco União Sampaio e União Popular de Mulheres, e Cláudio Aparecido da Silva, o Claudinho, atual Coordenador de Políticas para Juventude da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo.

O encontro aconteceu no Espaço Cultural CITA (Cantinho de Integração de Todas as Artes) a partir das 10h e iniciou com uma apresentação breve do Tony Marlon sobre o que é a Escola de Notícias e seus propósitos com o [Con]Versas: um encontro em roda, com dois provocadores convidados, para conversas que todos nós merecemos ter sobre assuntos que mostram que a comunidade é a cidade inteira. Antes, o formato era a Oficina Livre, que tinha o objetivo de disponibilizar ferramentas técnicas de comunicação, promovendo encontro entre profissionais da comunicação e movimentos sociais, culturais e artísticos do Campo Limpo.

Claudinho deu o pontapé inicial ao bate-papo falando um pouco sobre sua trajetória até sua atual posição na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da cidade, trazendo um olhar mais de dentro da administração pública da cidade. “Hoje em dia ninguém mais é bobo na periferia e a gente tem dado o tom de como tem que ser a nossa intervenção e também das políticas públicas”, afirmou.

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Para ele, é clara a perspectiva de que as iniciativas na periferia estão mobilizando muito mais que o governo, para Claudinho não devemos achar que o papel é apenas nosso. “O poder público tem que cumprir sua parte. Apesar de nossas microrrevoluções, precisamos influenciar e sensibilizar a revolução que passa pelo estado, o colocando como indutor e colaborador do desenvolvimento da periferia”, defendeu.

A partir daí o Thiago iniciou sua fala dizendo que iria abrir o coração sobre como ele tem enxergado a luta da juventude da periferia de São Paulo para uma cidade mais democrática. “Estamos em um momento de resignficação das lutas populares e melhor compreensão do trabalho cotidiano e em rede”, disse o Thiago.

“Na fila do coorperativismo todo dia vai morrendo um poeta, um música, mas também há um plano de carreira no crime”, explica. Para Thiago é necessário mostrar ao jovem alternativas para que ele deixe de ser um atendido das organizações e seja protagonistas das mudanças da nossa sociedade.

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Depois todos tiveram a oportunidade de expor suas ideias para o grupo, compartilhando de reflexões sobre cultura, arte e mobilização social na periferia. Inclusive, Um dos pontos da discussão foi sobre trabalharmos todos para que nosso trabalho não exista mais. O André Doc Capão, da TV DOC Capão, defendeu que os movimentos sociais precisam se unir mais para a busca pelos ideais comuns. Completando o raciocínio, Henrique Heder, do Projeto Arrastão, endossou que também era importante cada movimento crescer e se desenvolver para dentro, em suas microrrevoluções, para expandir para algo maior.

A jovem artista Bruna Rodrigues gostou da diversidade de pessoas que participaram da roda. “Todos trouxeram diversos pontos e olhares, de várias partes da cidadeque. Deu para perceber que cada comunidade é um universo inteiro, mas todos eles estão interligados. Foi rica a discussão”.

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Para a professora universitária Juliana Aranega, o [Con]Versas foi uma oportunidade de conhecer de perto um pouco a realidade de seus alunos. “É bom o exercício de ouvir e saber as necessidades das pessoas. Tenho muitos alunos que são daqui da região do Campo Limpo e conhecer um pouco mais o que acontece aqui pode me ajudar a facilitar melhor esse momento deles dentro da univerisdade”, explica.

Para fechar o primeiro encontro do [Con]Versas, o educador social e músico Gildean Silva, conhecido como Mr. Panikinho, que veio da cidade de Tiradentes, zona leste, e dá aula para jovens no Grajaú, zona sul, cantou um pancadão chamado “Sorriso Negro da Ostentação” que diz “E na bola de meia eu não to sozinho sei que um dia a bonança virá”. É o que acreditamos.

Você pode saber mais como foi na matéria do Periferia em Movimento.

Fotos: Karol Oliveira