Moradores do Campo Limpo e convidados ouviram e contaram histórias sobre a água (e a falta dela) na primeira Oficina Livre de 2015 da Escola de Notícias

Qual é a nossa relação com a água e a falta dela? O que temos a ver com tudo isso que está acontecendo? Em quase três horas de conversa, no sábado chuvoso do dia 21/03, comunidade e convidados contaram e ouviram histórias sobre a crise da água durante a Oficina Livre “Minhas histórias com a água (e sua falta)”. O Espaço CITA foi o ponto de encontro que levou um pouco do papo sobre a água para o Campo Limpo com a facilitação do cantor e compositor Chico César e do urbanista José Bueno, do projeto Rios e Ruas.

Karol Oliveira, assistente de projetos da Escola de Notícias, contou que o grande destaque desse dia foi a interação. “As contribuições foram muito ricas. Todos se sentiram à vontade para falar sobre a crise e compartilhar suas experiências”.

A hora é agora

“Sonhar alto, fazer pequeno e começar logo”, disse José Bueno durante a roda de conversas. Entre as histórias que contou, ele destacou o papel de cada um de nós na hora de cobrar providências das autoridades em relação à crise da água. Bueno compartilhou um pouco também sobre como ele e Luiz de Campos, seu parceiro no projeto Rios e Ruas, resolveram reaproximar as pessoas dos rios urbanos em São Paulo promovendo conversas e expedições para explorar os rios invisíveis da cidade.

Além de contar sua experiência com a seca no Nordeste, Chico alertou para o perigo de cairmos no discurso da grande mídia sobre a água. Para ele, precisamos ter opinião própria, pedir solução para o poder público e buscar outros caminhos.

O tom do encontro

“Desbravar os nossos rios o quanto antes”. Essa frase do José Bueno permeou toda a oficina. Mais do que falar sobre a água, os participantes deram espaço para o cuidado com o outro. Na hora que a oficina livre começou, Chico pediu para cada um se apresentar. Foi aí que Lilian Rosa (apelidada carinhosamente de Lili), conselheira da Escola de Notícias e aluna da EComCom 2013, falou que gostava muito de cantar, mas tinha muita vergonha. Ao ouvir isso, todos quiseram incentivá-la a vencer esse medo. No final do papo, eles puxaram uma ciranda e Lílian cantou e encantou a todos.

“Contamos histórias. Ouvimos histórias. Rimos. Refletimos. Nos surpreendemos. E nos sentimos humanos dividindo o nosso tempo para compartilhar nossas angústias e esperanças a respeito do eminente colapso no abastecimento de água na cidade”, disse Bueno.

Binho, poeta e morador da região, fez questão de participar da oficina. Nas palavras dele, “foi um encontro afetivo”. “Dialogamos bastante. Achei muito interessante a conversa sobre a importância dos rios espalhados pela cidade e que eles estão vivos, ao contrário que muita gente pensa. Precisamos nos indignar, encarar o que está aí”, contou.

Inspirada pelo encontro, Lílian escreveu o poema abaixo:

Nós enterramos as histórias do rio
O rio é nosso reflexo
O rio se movimenta
O rio fala
O rio ri
Fecharam o rio.

O que faltou? “Um passeio com todos que participaram da conversa para explorar riachos e nascentes no entorno da Escola de Notícias no Campo Limpo. Qualquer dia estaremos de volta. E vamos chamar novamente o Binho, a Suzi, a Lilian, o Chico, o Daniel, a Cecília…”, finalizou José Bueno.