Conselheiros da Escola de Notícias recebem formação com Ricardo Borges Martins, um dos idealizadores do Bom Senso Futebol FC

No segundo sábado de primavera (3/10), os participantes do Conselho Consultivo da Escola de Notícias (EDN) se encontraram no nosso cantinho no Espaço CITA, em frente à Praça do Campo Limpo, para falar sobre demandas da organização e dar continuidade ao trabalho de desenvolvimento institucional. O grupo é formado por educadores, equipe EDN e jovens das últimas temporadas da Escola de Comunicação Comunitária (ECOM).

Nesse encontro mensal, a Escola de Notícias convida um especialista para a primeira parte do encontro. Depois de Isabela Prata, idealizadora da Escola São Paulo, Emygdio Carvalho, coordenador de Estratégias da Rede Nossas Cidades, desta vez, o Conselho recebeu Ricardo Borges Martins, diretor executivo e responsável pela área de estratégia e desenvolvimento institucional do Bom Senso Futebol Clube.

Para início de conversa

O objetivo desse momento com Ricardo e outros especialistas é que todo o grupo, inclusive a equipe executiva, possa aprofundar seus conhecimentos nas áreas de governança e gestão e melhorar os processos institucionais. Logo depois do bate-papo com o convidado, os conselheiros falam sobre demandas da EDN.

Ricardo é cientista social e pesquisador e, no Bom Senso Futebol Clube, ele luta pela renovação e reformulação do futebol brasileiro. No bate-papo, ele compartilhou sua experiência profissional e pessoal e conversou com o grupo sobre advocacy. Para quem não conhece o termo, advocacy é um conjunto de ações que têm o objetivo de influenciar a formulação, aprovação e execução de políticas públicas junto aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e à sociedade, por meio do trabalho em redes e a mobilização da mídia.

Engajar pessoas em causas que acreditam

Durante a conversa, Ricardo mostrou que falar e pensar em política vai além da editoria que lemos no jornal e desconstruiu a ideia de que falar de política é um assunto chato. Segundo ele, esse processo de desconstrução é essencial para darmos forma aos nossos sonhos que envolve transformação de muitos problemas que nos incomoda na sociedade.

Para clarear mais o assunto, mostrou a diferença entre advocacy e lobby, que muitos confundem. No caso do advocacy, é o processo de comunicação entre a sociedade e o poder público; no caso do lobby, são as empresas que se comunicam com o poder público.

Depois, trouxe a reflexão: “Como é possível agir com a causa que nos interessa?”. Ricardo pediu que cada um dos conselheiros falasse sobre a causa política que toca o seu próprio coração. Além disso, compartilhou sua experiência de engajamento de pessoas.

“Quando fiz Ciências Sociais, queria entender melhor o mundo e sempre quis atuar muito. Um chamado para começar a fazer mais isso foi em 2009 quando participei do Oasis Santa Catarina, em que me envolvi de cabeça e senti que poderia fazer mais”, contou.

“Como engajar as pessoas no assunto política?” Essa é uma das perguntas que permeia as suas experiências nos movimentos. Ricardo contou que engajar é um exercício diário porque depende de diversos fatores, principalmente no perfil das pessoas e do assunto que você está trabalhando. Pensando em um futebol melhor para todos, criou o Bom Senso Futebol Clube. “Começamos a fazer propostas e nos tornamos referência no assunto para o governo federal. Fizemos parcerias, mapeamentos, estudos”, disse. Com manifestações em campo, o movimento foi capaz de mobilizar a opinião pública em torno das principais bandeiras para o início de uma profunda reforma no esporte.

Na conversa, entrou na roda também a importância da comunicação, do financiamento coletivo e da doação para manter os movimentos. E que a doação é uma das alternativas para que os movimentos ganhem impulso para trabalhar por meio de quem realmente acredita neles. “Meu sonho é que a sociedade financie suas próprias causas”, disse.