Escola de Comunicação Comunitária promove encontro entre os talentos do grupo; aula aberta foi dada pelos próprios participantes das oficinas de vídeo e jornalismo.

O que o caratê e violão tem a ver com enquadramentos, cortes, edição, lead? Num primeiro momento, nada. Num segundo momento, talvez continue não tendo muito. Mas tem.

No encontro da última quarta-feira, 23, o Escola de Notícias abriu espaço para que os jovens participantes da Escola de Comunicação Comunitária trouxessem aquilo que eles curtem e sabem fazer de melhor para compartilhar na turma. A iniciativa conecta 17 escolas públicas e particulares numa jornada de aprendizagem em comunicação e transformação social, com apoio do Programa VAI e em parceria com o Centro de Investigação Artemanha. A aula foi dada por eles mesmos, entre eles.

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A construção desse dia começou na semana passada com uma série de reflexões e exercícios que estimularam a turma a se perguntar sobre quais são as formas de aprender que estamos acostumados em nossa vida. Depois, uma provocação se o conhecimento está numa instituição, num espaço físico, ou nas pessoas que constroem esse espaço físico. A partir daí, a turma passou a pensar sobre o que tinham aprendido, como tinham aprendido, os sentimentos que tinham relacionados a esses aprendizados e como eles poderiam oferecer o que sabiam, de mais prazeroso e significativo, para toda a turma. O convite foi para uma prática em que todos aprendem com todos, e não somente uma pessoa, o “professor”, com um determinado conhecimento.

Ontem, Leonardo, Bianca e Maykon César foram os responsáveis pelo dia. Leonardo, apaixonado e praticante há alguns anos do caratê, trouxe seus mestres para contar como a gente usa a arte marcial para a defesa pessoal. Bianca, que aprendeu a tocar violão curiando na internet e treinando que só, contou mais sobre acordes, notas, cifras, Faroeste Caboclo, e por aí foi.

E como foi.

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Foi tanto, que mal sobrou tempo para o Maykon contar pra todo mundo como ele faz cartazes incríveis no trajeto entre sua casa – trabalho – Escola de Notícias, pelo celular. Isso mesmo, pelo celular. Ele edita flyers usando o celular, no banco do ônibus. Mas, o Maykon não ficou triste. Ele já havia demonstrado na prática como faz isso, ao produzir o convite para a aula de ontem.

O encontro terminou com uma pergunta feito pelo Tony Marlon, que facilitou o encontro: se o Escola de Notícias não precisou mover um centímetro para que vocês aprendessem uns com os outros numa tarde inspiradora como essa, por qual motivo esse encontro não aconteceu antes? Melhor: por quais motivos a gente não aprende mais assim, juntos e sem paredes?

Fica a dúvida.

E o convite para compartilharmos o que amamos e sabemos fazer.