Turma da Escola de Comunicação Comunitária produz a 2ª Sessão Comunitária da temporada

Por Helen Almeida*

A Segunda Sessão Comunitária começou a ser pensada nos primeiros dias de julho, dividindo-se as responsabilidades do evento entre a equipe da Escola de Notícias e os participantes das oficinas através do consenso. Com um prazo de pouco mais de duas semanas, o principal desafio era o de existir coletivamente, falar e ouvir em um grupo para se alcançar o objetivo. “A preparação[…] teve seus momentos complicados, em que achei que não daria certo, e acima de tudo, não daria tempo”, conta Daiane Dias, participante da oficina de Fotografia e Vídeo.

No dia marcado, 18 de julho, cedo começaram a montagem da Sessão. A princípio, a ideia era de se fazer na Praça do Campo, um espaço público com muita história e que rima com o tema do módulo – Minha Rua, Meu Bairro. Mas com metade da ambientação pronta o céu ameaça, a previsão aponta perigosos 20% de probabilidade de chuva. Dilema. Arriscar os equipamentos ou ir para debaixo de um teto? Escolheu-se a proteção e acolhimento da Casa de Cultura Nathalia Rosemberg, em frente de onde já estava armada a tenda.Não choveu e pouco depois o sol já se entrevia e iluminava a tarde. Mas não poderia ter sido mais agradável.

Para transportar o equipamento pesado as garotas não fugiram à luta. Cena bonita vê-las levando as caixas de som, projetores e mesas destemidamente pela rua em completo pé de igualdade com eles. A mudança de sede fez com que a Sessão atrasasse um pouco a começar, mas os convidados que iam chegando não demonstravam aborrecimento. Logo na entrada eram recebidos e chamados a completar um painel com a frase“Pra você a Praça é…” Como resposta lia-se palavras como liberdade, esperança, e também wifi grátis.

Comandada por um representante de cada oficina, foi Beatriz Nery, de Jornalismo e Escrita Criativa quem abriu a celebração com uma dinâmica de acolhimento: A cada um do público foi distribuído uma bexiga de cores variadas. Quem recebia balões de mesma cor formava um grupo para se conhecerem e falarem de sua relação com o bairro do Campo Limpo. Após alguns minutos, quando todos voltaram aos seus lugares, Beatriz, junto com Camila Vaz, oficineira, explicaram sobre a Escola de Notícias e sobre a proposta do segundo módulo. Depois foi a vez de Anderson Valença, que faz Criação Gráfica, apresentar o produto que cada oficina produziu no decorrer deste período: o mural pintado com referência aos personagens do bairro, o documentário O Grande Quintal, sobre a Praça do Campo Limpo e o zine Olha o Jornaleiro que aborda outras faces da região.

Dando continuidade ao programa, Marcus Assunção conduziu o bate-papo muito especial com o artista plástico da zona sul Mauro Nery, conhecido pela tag Veracidade, e o músico Guinão Oliveira. Entre outros temas, discorreram sobre a importância da convivência com o espaço circundante e, como antecipando o tema do próximo módulo, falaram sobre a importância do aprendizado e dos vários professores que se pode ter na vida. Guinão pontuou ainda que é o diálogo que esclarece e aponta para diversidade de pontos de vista “Se cada um for contar o que sabe, teríamos a história do mundo em sete bilhões de volumes”.

Inesperadamente, foi durante a Sessão que duas amigas acabaram por se encontrar após dez anos sem se falar. Valéria Domingues, mãe de Gustavo, participante de Criação Gráfica, trabalhou durante muito tempo no mesmo prédio de Graça Araújo, mãe de Daniele também da Criação, e eram muito próximas, conversavam e trocavam receitas. Após Valéria pedir demissão, as duas perderam completamente o contato. Nenhum dos filhos sabiamda história. “Ainda bem que existe Escola de Notícias”, afirmou com entusiasmo Daniele.

Como encerramento teve o Show de Talentos. “O que seria deste módulo sobre o bairro e a rua se não pudéssemos ouvir a voz da galera que canta e apreciar aqueles que dançam ou recitam poesia?”, diz Camila Vaz. Era quase 19h quando o encontro teve fim com pose para a foto e sorrisos sinceros de quem acaba de dar conta de que tudo deu certo. “O sentimento que tive ontem foi de extrema satisfação e felicidade. Foi sentimento de superação de obstáculos e de muita, mas muita, confusão por tantas informações. Mas aos poucos passei a me sentir aliviado, consegui me encontrar naquilo plenamente”, resume Marcus.

*Helen Almeida, 18 anos, é participante da turma da Oficina de Jornalismo e Escrita Criativa da ECOMCOM.