Escola de Notícias apoia, divulga e se compromete a não participar de debates, painéis, palestras e eventos que tenham apenas homens nas suas listas de debatedores e palestrantes.

Com texto do site institucional do movimento.

A falta de diversidade de gêneros em debates, painéis, palestras e eventos é notável em diversas áreas: política, ciência, tecnologia, negócios, artes. Ainda assim, parece que é mais fácil arrumar desculpas do que se dispor a mudar essa cultura. “Não conseguimos pensar em mulheres que estejam em evidência nessa área”. “Precisamos de grandes nomes para atrair o público”. “As mulheres que convidamos não podiam participar nesse dia”. “Mulheres trans… oi? O que é isso?”…

Toda vez que alguém organiza um debate, painel, palestra ou evento composto apenas por homens, fica mais difícil reconhecer outras pessoas – mulheres (cis e trans), homossexuais, bissexuais, T, não-binárias, negras, indígenas, com deficiência ou periféricas – que poderiam contribuir com aquela conversa.

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É um efeito de bola de neve: a organização compõe um painel 100% masculino, seguindo a tendência de chamar os “principais” (atenção para as aspas) nomes do assunto escolhido. Usa como referências outros eventos, debates ou publicações que já orbitam aquele ecossistema. Para os escolhidos, ótimo: o seu portifólio será sempre o mais recheado, e a sua fala, sempre a mais treinada. Outras pessoas – bem como outros valores, histórias e pontos de vista – ficam cada vez menos em evidência, e são cada vez mais difíceis de serem garimpadas para debates futuros 🙁

A parte boa é: o efeito contrário também é verdadeiro.

Cada vez que alguém que está organizando um debate, painel, palestra ou evento faz o exercício de pensar em mulheres incríveis, cis ou trans, que poderiam falar sobre aquele tema, contribui para o reconhecimento dessa mulher como uma protagonista daquela área. Permite que novos valores e perspectivas sejam colocados na mesa. Inspira outras mulheres a também levantarem suas vozes. E assim vamos, aos poucos, esquecendo da imagem dos debates 100% masculinos, e abrindo nossas mentes para outros gêneros, outras cores, outras infinitas possibilidades.

Para virar essa chave, temos que trabalhar juntxs 🙂

O feminismo é a luta das mulheres, que deve ser (e será!) protagonizada pelas mulheres. Para nós, essa luta também abraça toda a diversidade de gêneros, de raças e de culturas que existe: também estamos com as mulheres trans, as mulheres negras, as pessoas não-binárias, homossexuais e bissexuais, que sofrem ainda mais com a invisibilidade em eventos e debates públicos.

Mas aqui queremos falar com os homens, especialmente os homens cis, brancos, heterossexuais, de classe média ou classe média alta, que têm espaço garantido na sociedade. Temos um convite para os homens que reconhecem a nossa luta histórica e legítima por espaço na política, no trabalho, na sociedade e na vida. Para que esses homens, reconhecendo nosso protagonismo e valorizando nosso lugar de fala, possam também *agir* para acabar com o machismo em debates e palestras.

Amigo: assine o compromisso de NÃO participar de debates, paineis, palestras e eventos formados apenas por homens, nem de eventos que só tenham palestrantes homens na programação. Só com homens, #nãotemconversa!