Jovens participantes da iniciativa #arRUAça realizam pedalada no Campo Limpo sob os cuidados do Bike Anjo

Entre pedalar no centro de São Paulo e nos bairros, o que você prefere? Dizem que pedalar no centro de São Paulo pode ser uma experiência diferente de pedalar nos bairros. Será? Os participantes do #arRUAça foram ver isso na prática em dois dias: uma pedalada no centro de São Paulo no dia 29/03 e outra no Campo Limpo, no dia 12/04. Com o apoio do Itaú e parceria da Escola de Notícias e do Espaço CITA, o #arRUAça dá aulas e promove experiências a céu aberto sobre mobilidade urbana, ressignificação do espaço público, qualidade de vida.

“O pedal foi ótimo para conseguirmos comparar as diferenças entre pedalar no centro da cidade, onde já se tem uma boa infraestrutura para a bicicleta e no bairro onde não se tem infra, mas já existem pessoas usando a bicicleta. Foi um bom ponto de partida para provocar os jovens a pensarem quais seriam as soluções interessantes para que a prática de andar de bicicleta no Campo Limpo seja uma experiência mais prazerosa, que valorize o ciclista e lhe proporcione mais segurança”, disse Evelyn Araripe, uma das idealizadoras da iniciativa.

O trajeto

Quem cuidou de todo o trajeto de bike feito pelas ruas do Campo Limpo foi Franciele Meireles César, uma das participantes do #arRUAça, juntamente com o Bike Anjo – rede de ciclistas experientes que ensinam, gratuitamente, às pessoas que querem aprender a pedalar nas ruas com segurança. Como ela é moradora e anda de bike na região, ela se voluntariou a colaborar com a rota da pedalada do dia 12. Ao todo, participaram 12 Bike Anj@s nas duas pedaladas: sete na primeira e cinco na segunda.

“Foi simples. A primeira coisa que pensei foi no trajeto de segurança das pessoas e tentar traçar uma rota mais reta possível, que não cansasse tanto e fosse agradável para todo mundo. Mesmo assim foi complicado porque o campo limpo tem muitas elevações”, disse Franciele.

Vitória Ribera, 17 anos, é moradora do Campo Limpo também e contou sobre a percepção que teve. “Foi a minha primeira experiência com a bicicleta no Campo Limpo, principalmente em avenidas muito movimentadas. Eu gostei bastante e não achei tão perigoso quanto pensei que fosse. Por incrível que pareça, não tive muito medo dos carros, ônibus e motos. Acho que o fato de estar em um grupo relativamente grande pedalando junto comigo me deixou mais tranquila e segura”, afirmou.

Momento bate-papo

Para mostrar a perspectiva da galera do Bike Anjo em relação às duas experiências, tivemos um bate-papo com Marcos Bueno, um dos coordenadores do Bike Anjo Nacional, que acompanhou as pedaladas.

Elza: Como foi a experiêcia das pedaladas com a galera do #arRUAça? Ela aconteceu da forma que previram?
Marcos: O pedal com a galera do arRUAça foi fantástico. O Bike Anjo é super parceiro do oGangorra e temos muito em comum com o pessoal. Os dois passeios foram tranquilos e estiveram dentro do esperado e planejado. Para o primeiro passeio, fizemos um trajeto pelo Centro de São Paulo, esse passeio já é bem conhecido pelo pessoal do Bike Anjo, costumamos fazer com uma certa frequência. Já o segundo, pela região do Campo Limpo, foi planejado em conjunto com a Fran, que nos ajudou com o trajeto.

Elza: Apesar de não ter ciclofaixa e ciclovia, como foi a relação com os veículos motorizados no percurso feito no Campo Limpo?
Marcos: Como qualquer outro lugar, sempre existem alguns motoristas que não respeitam, ou não querem perder tempo no trânsito com uma bicicleta em sua frente “atrapalhando” sua passagem. Por outro lado, existem outros em maior número que apoia o pedal, ainda mais em grupo como estávamos. Acabamos virando uma atração.

Elza: Se for comparar com as duas pedaladas, o que destacaria?
Marcos: Em relação a estrutura, a diferença fica por conta de ruas melhores para se pedalar, iluminação de qualidade e um pouco mais de respeito por parte dos motoristas nas região mais central da cidade. Sobre a atividade, a percepção, principalmente para quem não tem o costume de ir tanto para o centro também é incrível, a arquitetura, os locais históricos e as praças chamam muito mais atenção, mas por outro lado, conhecer o próprio bairro e saber que é possível fazer muita coisa de bicicleta também é demais. Fazer esses dois trechos é sempre bom para comparar e sentir essas diferenças, e fazer pensar e batalhar para que cada vez mais essa diferença diminua, se tornando uma coisa uniforme em que você pode sair de qualquer ponto da cidade e ter uma estrutura ou um maior respeito pela bicicleta em todo o seu percurso.

No dia da pedadala no Campo Limpo, a equipe do Bike é legal acompanhou o trajeto e fez uma matéria sobre o #arRUAça. Assista ao vídeo, na íntegra.

Crédito da foto: arRUAça