Numa busca por entender alguns conceitos da produção audiovisual, os adolescentes da Associação Santa Amélia buscam inspiração nas fotonovelas.

O convite e a ideia vieram da Ação Comunitária, ONG de mais de 46 anos que atua em parceria com organizações sociais de base comunitária com apoio técnico e operacional. Na reedição de uma parceria de 2011, quando também promoveu uma Oficina de Vídeo com adolescentes, o encontro com o Escola de Notícias e o convite para uma parceria técnica na formação de uma turma de adolescentes em produção de vídeos. Todos moram na região da Pedreira, Zona Sul de São Paulo. O projeto, batizado de Som, Ritmo e Ação vai até o fim de 2013.

QUEM CUIDA DE QUEM?
Quem cuida da lista de chamada não é o facilitador. Assim como quem registra a retirada de livros da Biblioteca da ONG também não é ele. São os próprios adolescentes que fazem a gestão desses processos. E de vários outros. A construção do entendimento que todos são responsáveis pelo caminho que a gente decide fazer dentro de uma jornada como essa foi construída durante os encontros, que acontecem duas vezes na semana. A brincadeira, la´, não é apenas criar um vídeo, uma fotonovela, ou um programa de rádio. É entender como se conta histórias para o mundo. Para isso, essa galera de 9, 10 e 11 anos está aprendendo, na prática, e com o coração, que mais que apertar um botão ou usar um programa, a gente precisa aprender a cooperar, a se co-responsabilizar por aquilo que queremos juntos e agora.

DE GRÃO EM GRÃO
O convite foi feito pelo facilitador da oficina: criar uma fotonovela. Mas, como? A turma então mergulhou na conceitualização histórica das fotonovelas. Depois, entendeu como é o processo de criação de uma. Num encontro, a decisão de que iriam criar uma fotonovela institucional, resgatando a história completa da Associação Santa Amélia, onde são alunos. No outro encontro, já, Gabriela e Danielle, as produtoras, trouxeram a história completa escrita, fruto de uma pesquisa feita durante a semana. Depois, foi só seguir o fluxo e ir aprendendo, na prática, que até chegar na tela do cinema, o filme envolve dezenas de pessoas e desafios. Enquanto produziam a fotonovela, o grupo foi entendendo mais sobre as áreas de produtora. Alguns nomes técnicos: roteiro, storyboard, produçaõ de objetos, de elenco,  e por aí vai. Não é aprender com a cabeça, apenas. É viver o processo, é criar relações dele com o nosso cotidiando, e depois pedir pro coração guardar com cuidado, pois é importante.

As roupas e todos os objetos cênicos foram pesquisados e trazidos por eles mesmos. Para dirigir a fotonovela Santa Amélia, Camila e Kaylane correndo de um lado pra outro as 12 cenas selecionadas e colocadas no storyboard, e organizadas no roteiro. Se eles sabiam que esse texto e esses desenhos tinham esse nome? Não. Mas entenderam o conceito enquanto produziam, enquanto andavam. Dificil esquecer assim.
Abaixo, uma timeline que conta o caminho feito pela turma.

timeline_arte