Jovens apresentam projetos de mobilidade urbana desenvolvidos para melhorar a mobilidade urbana do Campo Limpo

Por Elza Maria Albuquerque

“A RUA pode ser sim mais do que um lugar de passagem ou convivência, mas espaço de desenvolvimento social, oportunidades e práticas cidadãs”, afirma Aline Cavalcante, uma das idealizadoras do arRUAça.

Após seis meses de vivências e encontros inspiradores pelas ruas de São Paulo, em sua maioria no bairro Campo Limpo, o dia 15 de agosto foi escolhido para a apresentação dos projetos idealizados pelos primeiros jovens participantes do arRUAça (metodologia experimental que enxerga a bicicleta como ferramenta de educação, transformação e empreendedorismo jovem).

Uma das salas do Espaço Cultural Nathalia Rosemburg, na frente da Praça do Campo Limpo, abrigou o grande dia que teve a presença de participantes do processo, mentores e comunidade local, convidada pelo pessoal d’oGangorra – idealizadores da metodologia. A Escola de Notícias e o Espaço CITA foram os parceiros acolhedores dessa primeira edição. Após a apresentação, todos os presentes fizeram um piquenique na Praça do Campo Limpo com direito a oficina de produção de placas do Movimento Bike-se.

“O dia da apresentação foi especial do começo ao fim. Encontramos pessoas muito queridas que nos acompanham e apoiam nas ‘loucuras’ que inventamos. Saímos de lá com a sensação de dever cumprido. Vimos muito das nossas oficinas e vivências sendo representadas nas falas dos jovens. Foi emocionante e deu fôlego para continuar o trabalho, acreditando na educação e na experiência como caminhos de construção de seres humanos e cidadãos melhores”, disse Aline Cavalcante, uma das facilitadoras e idealizadoras do arRUAça e integrante d’oGangorra.

O impacto

Dois projetos nasceram durante o arRUAça. O QG da Bike é um empreendimento social voltado para a educação e o desenvolvimento da cultura ciclística na região do Campo Limpo. O Movimento Bike-se é uma plataforma online de empoderamento da população com o poder público que permitirá que qualquer cidadão impulsione a manutenção, o melhoramento e a implantação da infraestrutura cicloviária da cidade de São Paulo. Tudo isso por meio de site, app e intervenções.

Para chegar nessas ideias, cada grupo contou com um mentor escolhido a dedo pelos facilitadores do arRUAça, de acordo com cada perfil, com o objetivo de orientá-los na segunda fase da metodologia, que é o desenvolvimento do projeto. Marcos Jana, coordenador nacional do Bike Anjo, foi o mentor da equipe do QG da Bike e Daniel Guth, consultor em Mobilidade Urbana, foi o mentor da equipe do Bike-se.

Gutierrez de Jesus, um dos idealizadores do QG da Bike, falou sobre como foi participar do arRUAça. “O processo para a construção do projeto foi o mais inovador que participei, com uso do Canvas e a facilitação de um mentor, ajudando a pensar o projeto e, ao mesmo tempo, impulsionando a construí-lo da melhor forma possível. Durante o processo, começamos a enxergar as coisas boas e ruins que a região tem e começamos a ter um pensamento totalmente diferente relacionado ao mundo dos diferentes tipos de modais que existem, como a bicicleta. Amei participar e tentarei ajudar a multiplicar esse processo lindo que é o arRUAça.”

Laura Almeida, uma das idealizadoras do Bike-se, enfatizou o engajamento. “O resultado final do projeto que meu grupo criou, o Movimento Bike-se, foi encantador. Percebi a capacidade de pessoas que não sabiam muito sobre esse universo do pedal conseguirem concretizar uma ideia e sim, ter fundamento nela. A partir do arRUAça, tivemos a chance de resgatar o hábito de pedalar, de olhar a cidade e de saber exigir os direitos de forma coerente e coesa. Além disso, o meu modo de olhar a paisagem urbana mudou. Estou mais questionadora. Por que os carros não param com facilidade quando são eles que devem prestar atenção também? Desde a concretização até o objetivo inicial (criar um projeto), sou muito agradecida às pessoas que participaram disso comigo.”

E o arRUAça continua

Segundo Aline Cavalcante, o momento do arRUAça é de fazer balanço e fechamento do projeto para o patrocinador, que foi o Itaú. A ideia é viabilizar uma nova fase do arRUAça em outro bairro fora do centro expandido e envolver os jovens da primeira fase para serem monitores e oficineiros dos próximos jovens.

“Queremos criar um ciclo virtuoso onde a informação circula livremente e nunca se prive a nós, mas possa ser compartilhada e gerar novas inspirações na cidade. Também estamos estudando a possibilidade de experimentar a metodologia sob o olhar de um outro tema, como o esporte por causa do clima de Olimpíadas, que está chegando”, afirmou Aline.

A seguir, confira a matéria produzida pelo canal Mova-se sobre o dia da apresentação: