#arRUAça no Campo Limpo

#arRUAça no Campo Limpo

Iniciativa traz discussão sobre mobilidade, empreendedorismo a partir de vivências; Escola de Notícias e Espaço CITA são parceiros acolhedores.

Foi no finalzinho de fevereiro, dia 21, que o projeto #arRUAça iniciou com pé direito na Praça do Campo Limpo, em sua primeira convocação de arruaceiros (forma carinhosa para chamar os participantes do projeto). Com o apoio do Itaú e a parceria da Escola de Notícias e do Espaço CITA, o #arRUAça dará aulas e promoverá experiências a céu aberto sobre mobilidade urbana, ressignificação do espaço público, qualidade de vida e, principalmente, uso da bicicleta para 30 jovens da região.

No dia 7/03, mesmo debaixo de chuva, os participantes se encontraram novamente na Praça do Campo Limpo, marcando o primeiro encontro oficial do grupo. Como atividade, os jovens fizeram uma caminhada pela região com o objetivo de mapear os problemas urbanos que observarem no trajeto, com prancheta de pesquisador (que acompanhará cada um em todos os momentos do projeto) e smartphone na mão para não perder nenhum momento importante no caminho.

O #arRUAça é um dos projetos d’oGangorra, formado pelas jornalistas Aline Cavalcante e Evelyn Araripe, a fotógrafa Laura Sobenes e o designer Pedro Ishikawa.

De acordo com Tony Marlon, responsável por projetos e parcerias dentro da Escola de Notícias, existe um motivo bem claro para a conexão entre a EDN e o #arRUAça. “No começo de 2015, a Escola de Notícias revisitou todos os seus projetos e ações para sentirmos se estávamos no caminho certo. Uma das coisas que notamos é que faltava uma atuação nossa como ponte, conectando algumas ideias que circulavam pela cidade, mas não chegava até a região, por mais que fossem relevantes”, conta.

“Acolher de alguma forma o #arRUAça é uma maneira de fomentar essa discussão sobre mobilidade por aqui. Muita gente anda de bike, mas vamos discutir sobre ela?”, finaliza.

A seguir, confira a conversa que a gente teve com Evelyn Araripe para conhecer melhor o projeto:

Elza: Conte pra gente como foi a criação do #arRUAça.
Evelyn:
Além de já estarmos envolvidos no ativismo da bike há sete anos, muitos de nós tivemos experiência em projetos com jovens. Nos últimos anos, temos aprendido muito empreendendo o nosso próprio negócio social. Daí veio a ideia de juntar tudo isso em um bolo só: bicicleta-juventude-empreendedorismo. Criamos uma metodologia para ensinar os jovens a observar a cidade a partir da caminhada e da pedalada e, em seguida, ensiná-los a transformar suas ideias em projetos e soluções para os seus bairros. Tudo isso vem em um momento em que a cidade de São Paulo chama a atenção para o incentivo ao uso da bicicleta, mas infelizmente a maior parte da estrutura se concentra no centro. Por isso, queremos ir para os bairros mais afastados e mostrar aos jovens que eles mesmos podem criar as soluções de mobilidade por bicicleta em seus bairros.

Elza: Por qual motivo começar no Campo Limpo?
Evelyn: Nós já sabíamos que tínhamos que ir para um bairro mais afastado do Centro, mas precisávamos que esse bairro já tivesse algum engajamento de grupos juvenis, para facilitar a articulação e desenvolvimento do projeto. Como já conhecíamos a Escola de Notícias, conversamos com o Tony Marlon que prontamente nos ajudou na mobilização com os jovens que já participaram da EDN. Foi o casamento perfeito!

Elza: De qual forma a Escola de Notícias está envolvida no projeto?
Evelyn: A Escola nos ajudou na mobilização dos jovens (90% dos participantes são ex-alunos da Escola) e com a estrutura do espaço do CITA, caso a gente precise. Como os encontros são todos ao ar livre, o espaço da Escola e do CITA servem como referência e espaço para guardarmos os materiais do projeto.

Elza: Como será a dinâmica do #arRUAça para essa primeira edição?
Evelyn: Começamos com uma série de dez encontros que envolvem dinâmicas de observação do bairro por meio de caminhadas e pedaladas. Depois, seguimos para uma etapa de levantamento de problemas e soluções. Aí ensinamos os jovens a transformarem essas soluções em projetos e como captar recursos e comunicar bem essas ideias. Terminadas as oficinas, cada grupo com o seu projeto criado ganha uma mentoria de dois meses e meio com algum especialista no tema e um fundo de impulso de R$1 mil para começar a desenvolver o seu projeto. No final dessa mentoria, os jovens passam por uma banca de especialistas e potenciais investidores que vão avaliar os seus projetos.

Foto: Yuri Vasquez

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