Produzida pelos participantes da ECOMCOM2016, Sessão Comunitária reuniu amigos, vizinhos e familiares para discutir território e identidade.

É um sábado, duas da tarde. E o lugar é o CEU Campo Limpo, espaço de encontros de várias tribos, de vários grupos, da região e de fora dela. Tem a quadra de futebol, o jardim que nunca acaba para o alto, até uma arquibancada tem. E gente. Tem muita gente. Em sua maioria, o espaço é lugar de encontro daqueles mais jovens, adolescentes, e uma ou outra criança que, correndo atrás de uma pipa, acaba entrando pela portaria sem nem saber direito onde se meteu. Geralmente a pipa fica presa nas árvores, que são várias, e aí, já que está lá, a menina ou menino acaba ficando mesmo, olhando o que nunca enxerga de dentro para cima.

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Foi neste cenário que aconteceu dia 6, a Sessão Comunitária II das meninas e meninos da Temporada 2016 da Escola Comunitária de Comunicação, programa da Escola de Notícias apoiado pela Brazil Foundation e Fundação Affonso Brandão Hennel. A iniciativa, com metodologia própria, convida jovens entre 16 a 24 anos a investigar apreciativamente as comunidades em que estão inseridos gerando produções audiovisuais que mapeiem e deem movimento aos talentos, recursos e espaços pontos de luz da região.

O CENÁRIO

Eram pipas (só puderam ser levadas ao final do encontro), comidas gostosas (feitas pelos próprios jovens ou compradas apenas de comerciantes locais) e uma roda de conversa inspiradora sobre direito à cidade, com Rogério Gonzaga, sonhalizador do PraÇarau, que acontece todas as terças-feiras na Cohab Adventista, e Laura Sobral, impulsionadora do A Batata Precisa de Você, movimento que está alimentando a vida do largo de mesmo nome, em Pinheiros, conversaram sobre o que quer dizer, nos dias de hoje, ocupar a cidade. Ela e ele, com experiências em territórios diferentes, essencialmente trouxeram a mesma coisa para os mais de 80 participantes do encontro: o lugar são as pessoas.

Laura Sobral e Rogério Gonzaga participantes da roda de conversa.

Laura Sobral e Rogério Gonzaga participantes da roda de conversa.

Rogério, que há 3 anos tem puxado a poesia como estratégia de afirmação de um território mais afetivo e acolhedor, contou o que ele achou de diferente entre as duas iniciativas: “Me pareceu que eles trabalham mais com a intenção de mudar o ambiente, fazendo os bancos por exemplo. Nós focamos mais na transformação do indivíduo na comunidade. E acabamos tendo a dificuldade de transformar o ambiente. Por enquanto, mas vamos muda isso, tendo a Batata como exemplo”, diz. A roda de conversa é um momento que acontece em todas as Sessões Comunitárias, sempre com um convidado que faz algo dentro do Campo Limpo e outro, a nível de cidade.

COMO CHEGARAM ATÉ AQUI

Se o Módulo I da ECOMCOM foi sobre o EU, Minha Família. Neste Módulo II, a rua foi a sala de aula. Elas e eles, de Jornalismo & Escrita Criativa e Cinema & Vídeo prosseguiram com seus estudos sobre as técnicas das duas linguagens, mas agora buscando aplicá-las ao registro dos talentos e memórias locais. Neste caminho assistiram um PraÇarau, tiveram um encontro para entender o que é um subprefeitura, participaram de atividades em que a Praça do Campo Limpo foi o ponto de encontro para as atividades. E tudo mais. O resultado de tudo isso, além de uma mudança no olhar sobre os seus bairros, sobre os seus vizinhos, foram os produtos audiovisuais criados pelas turmas.

O Jornalismo & Escrita Criativa criou um fanzine que resgatou diversas memórias sobre os bairros em que as participantes moram. A publicação explicou também a origem de alguns nomes de bairros, praças e ruas, além de recontar alguns temas importantes sobre o olhar de quem mora nestes lugares.

Galera apresentando na Sessão Comunitária os fanzines produzidos no Módulo II

Já o Cinema & Vídeo resgatou, por meio de uma experimentação em documentário, os atores e atrizes que dão movimento à vida cultural da zona sul. A ideia foi mostrar como existem pessoas fazendo a vida social e cultural ganhar movimento dentro das periferias, especialmente onde elas e eles moram. Veja aqui o documentário.