Jovens da Escola de Comunicação Comunitária 2015 e familiares participam de experiência sensorial produzida pela equipe

Um encontro marcado por surpresas e misturas de sensações. Na última matéria sobre o Módulo I da Escola de Comunicação Comunitária 2015 (EComCom), prometemos contar mais sobre a exposição sensorial com as produções dos jovens. Eis que a experiência, montada pela equipe EComCom para os jovens, foi tão rica que reservamos um momento só para ela. Camila Vaz, coordenadora técnica e educadora da EComCom, contou como foi a produção do Túnel Sensorial sobre Histórias de vida e o poder das narrativas pessoais.

“Como esta primeira sessão comunitária é um presente da equipe pra eles, o envolvimento dos jovens é menor. Foi muito legal ver a reação das pessoas em esperar o túnel, porque ele era a última atração da noite. Vimos que teríamos que mexer com o sensorial de quem fosse participar – não só dos jovens, mas também de todo mundo que estivesse ali naquela sessão. Tudo isso para acionar mecanismos que o próprio módulo pedia (identidade, o eu, a família e as relações)”, disse Camila.

O caminho e a confiança

Cada uma das oficinas tinha um espaço dentro dessa exposição, onde pudesse colocar, de alguma maneira, um elemento forte que tenha acontecido durante este começo de jornada. A equipe criou um túnel para a pessoa passar por espaços que conversavam sensorialmente com ela. O primeiro foi o espaço de criação gráfica que tinha uma mesa exposta com quatro aquários (cada um com uma cor diferente para conversar sobre a psicologia das cores). O objetivo era investir na reflexão do que a pessoa sentia com aquelas cores.

Já outro espaço, da turma de vídeo, teve um quebra-cabeças, montado com as fotos e coisas que os participantes achavam que identificavam a família deles. Neste, um áudio com os jovens contando algumas das histórias que eles coletaram das famílias. “Quando as pessoas sentiam as coisas, olhavam e colocavam lá se eram mãe, pai, primo, namorado. A mãe de uma das alunas ficou mexida quando viu as orquídeas da casa dela, por exemplo. Ao mesmo tempo, quem não era especialmente da turma de fotografia e vídeo, questionamos se havia alguma coisa ali que eles conseguiam visualizar também”, exemplificou Camila.

Em seguida, o participante caminhava para a exposição de Jornalismo e Escrita Criativa, onde todos eram vendados. A experiência era ouvir uma narrativa e, além disso, tocar, sentir cheiro, comer coisas que tinham a ver com o texto. Uma era sobre diversão com direito a areia para representar a praia, espaço para representar festa junina com bandeirinhas, pé de moleque e paçoca. Depois eles encontravam o fim, que era na Oficina Transversal – eles viram os vídeos onde os filhos contavam um pouco a origem do nome deles e viam a exposição também da jornada do herói.

O olhar dos jovens

“Foi muito emocionante ver as famílias, que até então não se conheciam, interagindo, conversando e rindo – unidas como uma família que se reconhece nos gestos e ações. Não tínhamos ideia que teríamos os trabalhos expostos de forma que não fosse passiva. Não era para só ver. Era para sentir e participar. O que mais marcou foi perceber o trabalho, a dedicação e a entrega da equipe toda. Imaginar o trabalho que deu para montar tudo a tempo. Também foi muito emocionante ter sido parte de tudo aquilo”, explicou Helen Almeida, 18 anos, participante da turma de Jornalismo e Escrita Criativa.

“O túnel sensorial ficou espetacular. Foi demais ver minha família passando e reconhecendo minhas histórias, fotos, voz. Eu também fiquei deslumbrada.
O que mais marcou, sem dúvida, foram as fotos de algumas coisas da minha casa que viraram um quebra-cabeça. Enquanto montava, a música de fundo era minha voz contando as histórias incríveis da minha família!”, detalhou Débora Reis, 16 anos, participante da turma de Fotografia e Vídeo.