Diretora do Cieja Campo Limpo conta sua experiência na Sessão Comunitária da Escola de Comunicação

Dona Eda Luiz, diretora do Cieja Campo Limpo, participou da Sessão Comunitária de fechamento do Módulo #3, no sábado dia 17. O tema que a turma se aprofundou durante esta etapa da Jornada de Aprendizagem foi Educação e a dona Eda compartilhou sua experiência no fortalecimento da autonomia dos estudantes na escola em uma conversa conduzida por Luciano Rebouças, 17 anos, da turma de Jornalismos & Escrita Criativa.

“A Escola tem que incluir e a nossa exclui. A escola padroniza e disciplina, tanto que foi criada no século 19 junto com as prisões”, explica ela que acredita que os alunos é quem vão transformar a escola. “O aluno vai começar a conduzir sua própria produção de conhecimento na escola”, afirma.

Ela contou casos específicos que vivenciou durante sua gestão do Cieja Campo Limpo, o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos que é exemplo em como o diálogo com a comunidade ou com o interesse dos estudantes constrói processos de aprendizagem mais humanos e consistentes.

“Certa vez uma senhora de cerca de sessenta anos me disse ‘agora eu sou gente porque sei ler e escrever’. E o que foi esta pessoa antes disso então?”, lembrou após contar que quando chegou ao Cieja, que antes era Centro de Educação Municipal de Ensino Supletivo (Ciemens), conversou com todos os alunos, um por um, sobre o que achavam da escola. “Eles diziam que a escola era maravilhosa, porque tinham amigos e faziam uma séria de coisas. Mas eles não gostavam da sala de aula”, conta.

Dona Eda fez o levantamento dos interesses dos estudantes tanto para a estrutura da escola, quanto para o ensino em sala de aula e a partir daí começou a co-criar com a comunidade um ambiente de produção de conhecimento, identificando e fortalecendo também a mobilização já existente nela, buscando também organizações locais que pudessem apoiar iniciativas no Cieja.

“A escola e a educação vão mudar pelos alunos, eles que vão transformar tudo”, acredita dona Eda, citando o atual momento de proposta de reorganização escolar do Governo do Estado e o movimento contrário exposto pelos estudantes que foram para as ruas protestar.

“Vamos mudar a nossa comunidade, a sociedade, quando a gente conseguir se unir de tal maneira que cada um consiga participar e fazer esta rede de boas intenções para que as coisas caminhem. Não podemos fazer nada sozinhos”, afirmou logo depois do fim da conversa, agradecendo o convite.

Luciano, responsável por cuidar do tempo da conversa, gostou do que ouviu. “Conhecer pessoas compromissadas com o próximo é sempre muito bom, me senti privilégiado e foi desafiador (mediar a conversa), por ser alguém com tanto a oferecer”, afirma.

“Toda vez que precisarem, podem me chamar. Eu acredito nas parcerias. Talvez eu tenha muita coisa para falar, mas eu também tenho muita coisa para ouvir”, disse. E a Escola de Notícias agradece por poder passar uma tarde de sábado conosco. Foi e é importante ouvir pessoas com iniciativa com dona Eda.