Por Karol Coelho

Com apresentação do palhaço Gastão, o último sábado foi dia de circo na primeira Sessão Comunitária da temporada 2016 da ECOMCOM – Escola Comunitária de Comunicação da Escola de Notícias, que este ano conta com apoio da BrazilFoundation.

Fechando o Módulo I – Eu, minha Família, os pais, mães e parentes dos jovens participantes se reuniram no Espaço Cultural CITA (Cantinho de Integração de Todas as Artes) para verem um pouco o que foi a jornada até agora e para conversar sobre como construímos as histórias de cada um de nós.

Representando o palhaço Gastão, Washington Gabriel foi o apresentador da Sessão Comunitária que contou com intervenção do João Luiz Couto com o personagem Matuto. O encontro controu com uma roda de conversa com a participação especial do fotógrafo e comunicador Leonardo Brito, morador da região do Campo Limpo, e a atriz, produtora e apresentador Paula Picarelli. O papo da vez foi sobre histórias de vida e construção do caminho pessoal.

Paula provocou sobre a importância de se colocar no lugar do outro para tentar entende-lo. “A gente esquece que as pessoas são pessoas e que elas sofrem e passam por milhões de coisas. Falta empatia mesmo. Quando você se relaciona com o outro você se enxerga nele”, disse.

“A escola não me ensinou a pensar, foi a diversidade que me ensinou”, afirmou ao contar que sempre teve facilidade para decorar, o que contribui para sua profissão de atriz, relembrando a convivência com crianças de diversos níveis econômicos e sociais no colégio em que estudou.

“A gente aprende na escola um ponto de vista sobre a história quando são ricos os vários pontos de vista sobre várias histórias”, disse.

Léu Brito trouxe sua experiência com o jornalismo e como desenvolveu a partir da curiosidade e da persistência o talento para a fotografia. Ele nunca pensou em ser comunicador e se formou em automobilística para ter uma profissão. “A gente na periferia tem que cavar as oportunidades. Conheci uma amiga jornalista que disse que eu tinha cara de comunicador porque eu não tinha medo de gente. Para ser comunicador a gente não pode ter medo de gente”, contou Léu.

A conversa foi uma busca pelo entendimento em entender como as pessoas enxergam o mundo a partir de suas histórias. Por isto, Paula e Leu foram questionados sobre a importância das técnicas.

“A gente tem que sentir antes de falar da técnica. É mais fácil treinar o olhar primeiro e depois a técnica”, disse Leu. “O olhar você desperta, não ensina”.

“A gente aprende a técnica, mas como cada pessoa a utiliza para se expressar é muito único. Ela usa toda a bagagem dela, coisas que nem imagina, para expressar sua arte”, explicou Paula. “Seu como observar coisas do cotidiano para o teatro, mas não sei como ensinar o olhar”.

Como nossas coisas contam nossa história?
Após o bate-papo, todos os presentes foram convidados para uma experiência de empatia. Com os olhos vendados, ouviram áudios com pessoas contando suas próprias histórias, enquanto tocaram objetos que pertenciam a estas pessoas.

Em seguida, as famílias presentes trocaram receitas. Antes de comer, cada família contou o que levou para o lanche e porque a receita havia sido escolhida, qual a sua importância para a família, quais recordações traziam.

Giovana Buccini, 18 anos, participante da turma de Cinema & Vídeo, levou seus pais, irmão e amigos e disse que nunca havia feito algo parecido com sua família. “Eu gostei tanto do bate-papo quanto de ouvir as histórias. Meus pais sempre trabalharam muito e nunca ficaram muito tempo em apresentação minha na escola, nem nada, e por isso me marcou. Eu me senti bem feliz”, contou.

Sua mãe, Katia Buccini, também gostou muito da Sessão Comunitária, principalmente por poder conhecer melhor o trabalho da Escola de Notícias. “Gostei muito da ideia de contar as nossas histórias”, disse.

É esta a ideia que gostamos também! Agora, partiu Módulo 2 – Minha rua, meu bairro. 😉

Obrigado e obrigada a todos que participaram!