Raquel Rosenberg e Edgard Gouveia Júnior dão dicas de mobilização e engajamento

Entre um projeto e outro, a Escola de Notícias (EDN) promove encontros que buscam espalhar ideias construtivas, não só pelo bairro do Campo Limpo, mas por toda a cidade. O comecinho do mês de agosto, exatamente no dia 1º, teve esse tipo de encontro, livre e gratuito: o “[CON]versas sobrenome mobilização – Como engajar pessoas em sonhos comuns?”.

A manhã foi pra lá de acolhedora na casa do Núcleo de Convivência para Idosos do Campo Limpo (NCI), parceiro da EDN. Nesse dia, convidamos Edgard Gouveia Júnior, idealizador do Play The Call, e Raquel Rosenberg, cofundadora do Engajamundo. Os dois foram apresentados para os participantes via Ana Carolina Rodrigues, assistente de produção da EDN, que, depois, passou a bola para os convidados que contaram um pouquinho sobre o que faz seus olhos brilharem e como despertam isso nas pessoas.

O caminho das pedras

O papo começou com a pergunta “Existe mágica para engajar pessoas?”. Segundo Raquel, um bom engajador usa a linguagem “sexify”. “Nós, do Engajamundo, usamos muito o sexify. Por trabalharmos com temas difíceis, precisamos torná-los mais atrativos para o nosso público se interessar por esse universo. O sexify é uma linguagem sedutora que traduz os conteúdos técnicos ou científicos para um formato mais leve, divertido e atrativo para o jovem”, explica Raquel.

Para Edgard, a linguagem “sexify” é importante, mas acredita que tem mais elementos que colaboram na mobilização e no engajamento. “As pessoas precisam ter uma visão de sonho. A imagem construída tem que ser bonita e precisamos chama-las para esse sonho. O erro de muita gente é concentrar a fala no terror, nos problemas. Isso não dá certo porque o nosso corpo foi feito para celebrar a vida. A gente se aproxima do que nos faz feliz. Outra coisa muito importante também é brincar. O processo todo do engajamento precisa ser legal”, conta.

O desafio de manter a chama acesa

E como manter o engajamento? De acordo com Raquel, a partir do momento que a luz do engajamento é acesa, a própria pessoa manterá. No caso do Engajamundo, a tecnologia colabora bastante para isso. “É uma ferramenta essencial, pois fazemos o direcionamento das nossas ações no universo online. Além disso, o mais importante é ajudar o jovem a encontrar o seu propósito. O que ele acha que tem de errado no mundo e, assim, ocupar os espaços de decisão.”

O sonho e a brincadeira fazem esse trabalho de manter o engajamento. “A nossa melhor versão vem sem esforço nenhum quando estamos brincando. As crianças são ótimas nisso. E outra: o engajamento tem a ver com a causa que temos afinidade, nossos sonhos”, afirma Edgard.

Para buscar inspiração, ele conta que se inspira muito em filmes e na sua própria experiência de vida. “Pensem na vida de vocês, no que faz sentido. Pensem no repertório que têm. Somos muito mais do que pensamos e temos muita experiência. Quando moleque, ouvia um discurso de derrota de que o Brasil era feito de pessoas sofridas. Depois vi que era diferente. Observei a organização que o Carnaval tinha (com toda a sua grandiosidade e alegria) e pensei ‘Como pessoas sofridas e miseráveis fazem esse espetáculo tão maravilhoso? É claro que aquele discurso anterior estava errado. Percebi sozinho o lado positivo disso tudo e mudei a minha visão do povo brasileiro.”

Raquel lembra que, antes de tudo, a pessoa precisa acreditar nela mesma. “Só faz sentido o que é sentido. Não tem coisa mais poderosa pra mim quando alguém acredita verdadeiramente em algo. O grande sedutor é aquele que é o exemplo. Você sabe o que é certo. Você precisa ser o exemplo. Precisamos sair desse lugar que a verdade está em outro lugar. O sentimento de pertencer é muito poderoso. Se você tem um propósito claro, faça junto, porque é muito melhor”, detalha Edgard.

As ações que ficam

Com a iniciativa de um movimento que partiu do Edgard ao colocar copos de água no centro da roda, ao longo da conversa, o público se mobilizou para colocar os quitutes levados pelos presentes para o mesmo local, para facilitar a alimentação do grupo. Teve gente que preferiu servir cada participante, por vez. De repente, o que estava sendo falado no bate-papo, de fazer a sua parte e ser o exemplo, virou realidade.

Aline Santos, uma das participantes do [CON]versas, compartilhou o que levou com ela. “No lugar de receitas prontas sobre engajamento e mobilização, encontrei uma conversa franca e inspiradora sobre autoconhecimento, gentileza e compartilhamento de sonhos. Nós somos um combinado de sentimentos, histórias e propósitos de vida e, sabendo disso, o movimento social deve seguir empenhado em despertar esses valores humanos naqueles que têm alguma simpatia pela causa defendida. Todo mundo sonha com um mundo melhor, então, vamos arregaçar as mangas para mudar efetivamente, sem desperdiçar energia apenas enumerando problemas.”

Para fechar a conversa, cada um falou o que ficou do encontro. Veja só algumas frases compartilhadas pelos participantes:

– Acredite na criança que existe em você;
– Brinque mais;
– Faça aquilo que faz sentido para você;
– Seja doce e entre na frequência da doçura;
– Faça o seu melhor. Traga o seu melhor. Isso motiva.
– Aceite mais os convites e convide mais;
– As palavras não vão mudar. As ações sim;
– Não faça sozinho;
– Saia mais do online. Vá para o mundo off-line também;
– Nós já sabemos o que fazer e como fazer. Basta despertar.